História de Henrique Rodrigues.
Três décadas de silêncio na Serra da Cantareira não foram suficientes para apagar o rastro de uma energia que parou o Brasil em 1996. Agora, a poucos dias do marco de 30 anos da tragédia que vitimou o grupo Mamonas Assassinas, um detalhe inesperado e carregado de simbolismo emergiu das profundezas do Cemitério Primaveras, em Guarulhos, transformando um procedimento técnico em um acontecimento místico para os fãs.
Durante a exumação do corpo de Dinho, o eterno e irreverente vocalista do conjunto, realizada nesta segunda-feira (23), algo desafiou a ação do tempo: uma jaqueta utilizada pela equipe dos Mamonas foi encontrada sobre o caixão do cantor.
A peça havia sido colocada sobre o caixão do vocalista no dia do enterro, em março de 1996. Impressionantemente, a jaqueta foi localizada praticamente intacta após trinta anos sob a terra. Em nota oficial, a equipe confirmou o achado:
“Confirmamos que foi encontrada uma jaqueta utilizada pela equipe dos Mamonas, que havia sido colocada sobre o caixão do Dinho. O item permanece sob a guarda do cemitério até que se defina se fará parte do Memorial”, diz a equipe responsável.
A descoberta foi também confirmada por Jorge Santana, CEO do grupo, que reiterou que a peça passou a ficar sob a guarda do cemitério enquanto se define a possibilidade de o item integrar a homenagem aos músicos.
Do luto à renovação: O Jardim BioParque
A exumação é o primeiro passo para uma transformação poética. Os músicos Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, que morreram no dia 2 de março de 1996, terão seus restos mortais levados para um memorial onde parte das cinzas será utilizada como adubo no Jardim BioParque Memorial.
O Projeto: O espaço receberá cinco árvores, cada uma representando um integrante.
A Missão: De acordo com a nota oficial, o intuito é “perpetuar a memória e proporcionar aos fãs de hoje e das futuras gerações um espaço que conte a história de alegria, garra e determinação dos nossos meninos”.
Acessibilidade: O Memorial será aberto à visitação dos fãs sem qualquer custo.
Este gesto simbólico de “renovação e eternidade”, como define Jorge Santana, garantirá que a alegria do grupo continue a florescer. Embora ainda não haja uma data divulgada para a inauguração, a jaqueta que resistiu ao tempo permanece como um elo físico e emocionante entre o passado glorioso e o novo memorial que está por vir.
